O Brasil tem potencial para instalar até 24 gigawatts (GW) de energia solar flutuante em reservatórios de usinas hidrelétricas, segundo estudo realizado pela consultoria PSR (Power System Research). A empresa, reconhecida internacionalmente por seus modelos de simulação e planejamento energético, avaliou 41 reservatórios no país que possuem características favoráveis para abrigar sistemas fotovoltaicos flutuantes.
Oportunidade estratégica para a matriz elétrica
A energia solar flutuante representa uma alternativa estratégica. Ela otimiza a infraestrutura já existente de geração e transmissão, reduzindo custos e acelerando prazos de implantação. Como os reservatórios dispõem de conexão à rede e área útil, os sistemas flutuantes evitam disputas fundiárias e simplificam processos de licenciamento.
Além disso, a instalação dos módulos solares diretamente sobre a água contribui para reduzir a evaporação dos reservatórios e melhorar o desempenho térmico dos módulos. Consequentemente, há ganho em eficiência energética. No entanto, ainda é necessário considerar os impactos ambientais locais e realizar estudos técnicos aprofundados.
Regiões com maior viabilidade
Usinas como Sobradinho (BA), Tucuruí (PA), Ilha Solteira (SP) e Furnas (MG) estão entre as mais promissoras para a implementação da tecnologia. Isso se deve ao volume de seus reservatórios e à alta radiação solar nessas regiões. Como resultado, a cobertura de apenas 1% da lâmina d’água já viabilizaria centenas de megawatts em nova potência instalada.
Além da geração centralizada, o estudo aponta que parte da capacidade pode ser utilizada como geração distribuída (GD), abrindo espaço para sistemas menores voltados ao autoconsumo remoto e cooperativas de energia.
Desafios e próximos passos
Apesar do grande potencial, o país enfrenta desafios regulatórios. A ANEEL e órgãos ambientais ainda desenvolvem diretrizes específicas para instalação de sistemas solares flutuantes. É preciso definir limites de área, critérios de outorga e normas de convivência com a operação das usinas hidrelétricas.
Outros países já estão avançados na adoção da tecnologia. China, Índia e Japão, por exemplo, operam usinas flutuantes em larga escala. Como consequência, o Brasil pode se beneficiar dessas referências para acelerar sua própria regulamentação e atrair investimentos.
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