A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) divulgou que a previsão de geração hidráulica para setembro de 2025 é significativamente inferior à garantia física do sistema elétrico nacional. A estimativa é de 36.489 megawatts-média (MWmed) de geração hidráulica (GHband), contra uma garantia física (GFband) de 52.996 MWmed, o que representa uma diferença de aproximadamente 31% abaixo da capacidade garantida.
Nível da geração hidráulica compromete modelo de suprimento
A geração hidráulica historicamente responde por mais de 60% da matriz elétrica brasileira. No entanto, em momentos de estiagem ou baixa afluência, o país recorre a outras fontes, como térmicas e importação de energia. É o que ocorreu neste mês, o que justifica o acionamento da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que acrescenta R$ 78,77 a cada 100 kWh consumidos na conta de luz.
Implicações sobre a bandeira tarifária e os custos ao consumidor
Segundo o modelo de simulação adotado pela ANEEL, a baixa geração hidráulica aumenta o uso de fontes mais caras, como as termelétricas. Como resultado, o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) gatilho de setembro foi estimado em R$ 315,54/MWh, valor acima do limite de R$ 306,62/MWh para o acionamento da tarifa mais alta.
Cenário reforça necessidade de diversificação da matriz
A recorrente dependência da geração hidráulica e sua vulnerabilidade climática reforçam a urgência de expandir fontes complementares, como solar, eólica e armazenamento de energia. Com a expectativa de um verão mais seco, a ANEEL deve seguir com a sinalização tarifária elevada, exigindo maior planejamento de consumo por parte de consumidores e gestores do setor.