Como proteger a informação.

Novos paradigmas para um mundo conectado.

A humanidade ao longo da sua existência já viveu diferentes períodos históricos. Mas apesar da experiência acumulada em cada transição, mudanças de mentalidade nunca são fáceis e acaba-se durante muito tempo se preservando conceitos que não mais fazem sentido. Por isso, este texto reflete sobre a proteção da informação do ponto de vista das instalações elétricas.

Instalações de energia e sinal.

As instalações elétricas existem para transportar energia, corrente elétrica, gerando trabalho, mas também  transmitindo informações. Embora muitos profissionais da área elétrica não considerem setores como automação, informática ou telecomunicações como suas atividades, esses sistemas utilizam condutores metálicos e suas infraestruturas para transmitir informações na forma de eletricidade.

Embora linhas de energia e sinal utilizem condutores metálicos e compartilhem os mesmos princípios da teoria de circuitos e do eletromagnetismo, cada uma delas tem suas próprias particularidades, que precisam ser consideradas no projeto das suas respectivas infraestruturas. Justamente por isso, o projeto de um sistema de automação, informática ou segurança eletrônica, por exemplo, não pode ser negligenciado, deixado para depois, ou simplesmente não ser feito, fazendo com que esses sistemas utilizem a mesma infraestrutura das instalações de energia.

Em uma economia que automatiza operações, reduz os estoques e procura operar na maior eficiência possível, a interrupção, por minutos que seja, de um processo, pode provocar a perda não só de um pedido, mas também de um cliente. Atualmente, um consumidor, indivíduo ou empresa, avalia não só o produto que adquire, mas também a facilidade de o comprar e o prazo em que o recebe.

Como atualmente os relacionamentos, pessoais e comerciais, acontecem 24 horas por dia e sete dias por semana,  são implantados sistemas de comunicação redundantes, o que não significa que seja aceitável que mesmo um único de seus componentes fique inoperante. No presente a informação é para a economia o que o oxigênio significa para o corpo humano, sem eles se sobrevive por muito pouco tempo.

Por último, mas não menos importante, como foi visto na primeira edição do Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro (CPIIC) [1], energia e comunicações caminharão cada vez mais juntos, muitas vezes com o mesmo cabo conduzindo energia e informações, como acontece nas câmeras Power Over Ethernet (PoE) (imagem 1).

Imagem 1. Câmera PoE.

Vulnerabilidades das linhas de sinal.

Equipamentos da Tecnologia da Informação (ETI) são aqueles que recebem, processam e fornecem dados de uma fonte externa, através de, entre outros meios, linhas elétricas de sinal. Devido à diferentes formas de acoplamento eletromagnético, essas linhas podem receber sobretensões transitórias e correntes de surto, que através delas podem chegar até as entradas ou saídas dos ETI.

Como a proteção contra surtos normalmente é responsabilidade do projeto elétrico, a proteção das linhas de sinal é negligenciada, porque esse projeto não envolve áreas relacionadas a transmissão de dados e, principalmente, acredita-se que é suficiente a proteção das linhas de energia.

Embora todos se preocupem com ETI danificados, falhas temporárias podem interromper processos e causar vários prejuízos, comprometendo a confiabilidade, eficiência e segurança de atividades, processos e serviços, gerando prejuízos maiores do que o próprio custo de reparo ou substituição do ETI. Por isso, a proteção contra surtos evita não só a substituição de um equipamento, mas também que ele fique momentaneamente indisponível.

Proteção contra surtos para linhas de sinal.

Como os ETI são muito vulneráveis às sobretensões transitórias e correntes de surto, porque possuem mais conexões através de cabos, eles devem ser protegidos por todas as Medidas de Proteção contra Surtos (MPS) relacionadas na norma técnica ABNT NBR 5419-4:2015 Versão corrigida 2018 [2].

Devido à sua importância a proteção contra surtos das linhas de sinal está incluída em diversas normas técnicas, como as normas para os Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) IEC 61643-21:2012 [3] e IEC 61643-22:2015 [4], específicas para sistemas de sinal.

A proteção contra surtos sempre é uma atividade compartilhada entre diversos profissionais. Cabe ao especialista em MPS avaliar o trajeto das linhas de sinal e a localização dos ETI, devendo o responsável pelo sistema informar qual o protocolo de comunicação do equipamento que deve ser protegido, sempre acompanhados do pessoal da área elétrica, para que juntos  consigam a melhor proteção possível. Para isso é necessário contar também com o suporte técnico do fabricante dos DPS, como aquele que é disponibilizado pela Embrastec (imagem 2).

Imagem 2. Suporte técnico da Embrastec.

Os Dispositivos de Proteção contra Surtos.

Os DPS limitam os valores das sobretensões transitórias e desviam as correntes de surto no ponto onde estão instalados, mudando de um estado de alta para baixa impedância quando a tensão em seus terminais passa de determinado valor; voltando ao estado inicial ao final da sobretensão. Eles são divididos em classes ou tipos (I, II e III), correspondendo ao ponto onde devem ser instalados, seguindo o conceito de Zona de Proteção contra Raios (ZPR) [2].

Como para cada linha de sinal existe um protocolo de comunicação, os fabricantes de DPS disponibilizam nos catálogos seus produtos associados a esses protocolos, facilitando que eles sejam especificados corretamente. Por isso, existe um modelo específico de protetor para cada sistema, como o DPS Rack da Embrastec para redes de dados (imagem 3).

Imagem 3. DPS New Rack Embrastec.

Conclusões.

Apesar do consenso sobre a importância da comunicação em nossa sociedade, essa noção não se traduz totalmente em ações concretas para torná-la mais confiável e segura. A falta de conhecimento e a tendência a reduções de custo além do razoável faz com que a proteção contra surtos das linhas de sinal não seja uma prioridade.

Como o conhecimento é proteção e informação é segurança, todos os profissionais da área elétrica devem investir na conscientização da sociedade, incluindo os seus colegas,  da importância da proteção contra surtos das linhas de sinal.

 Referências.

1] Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro (CPIIC).
      https://evento.cpiic.com.br/cpiic-2026 

2] Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). ABNT NBR 5419-4:2015 Versão
     Corrigida:2018 Proteção contra descargas atmosféricas Parte 4: Sistemas elétricos e
     eletrônicos internos na estrutura.

3] International Electrotechnical Commission (IEC). IEC 61643-21:2012 Low voltage surge
     protective devices – Part 21: Surge protective devices connected to
     telecommunications and signalling networks – Performa requirements and testing
     methods.

4] International Electrotechnical Commission IEC 61643-22:2015 Low-voltage surge
     protective devices – Part 22: Surge protective devices connected to    
     telecommunications and signalling networks – Selection and  application principles

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