Coluna | A Escalada de Preço do Polissilício: mais um capítulo da novela sem roteiro do setor solar

A Escalada de Preço do Polissilício mais um capítulo da novela sem roteiro do setor solar

Os preços do polissilício voltaram a subir. De novo. Segundo a InfoLink, em setembro a média ficou em 48 RMB/kg, com teto chegando a 52. Não é um movimento isolado. Desde julho o mercado dá sinais claros de que aquela fase de preços baixos demais (quando o material era vendido até abaixo do custo) chegou ao fim. O motivo? Uma combinação previsível: cortes de produção, controle de oferta e uma espécie de consenso entre grandes fabricantes de que não dá mais pra sustentar os níveis anteriores. Até aí, tudo bem. É natural que um setor tente se equilibrar depois de um período de desorganização. A questão é que essa recomposição de preços não acontece sem impacto real para quem está na ponta. Ou seja, quem instala, financia ou consome sistemas solares.

Quando o preço do polissilício sobe, todo o resto acompanha. Wafers, células, módulos. Tudo encarece em cascata. E quem trabalha com energia solar sabe que boa parte dos projetos, principalmente residenciais e pequenos comerciais, tem margens apertadas e depende de previsibilidade para fechar as contas. Não é qualquer ajuste de preço que cabe num financiamento de 20 anos. E esse é o ponto. Não estamos falando apenas de uma variação natural de mercado, mas de um redesenho forçado da curva de preços, causado por decisões estratégicas de restrição de produção. Algumas plantas estão paradas, outras rodando em capacidade reduzida. A lógica é simples (mas nada transparente): menos oferta, preços mais altos, margem recuperada. Funciona no papel, mas coloca em xeque a estabilidade da cadeia como um todo.

Vale lembrar que essa oscilação nos preços do polissilício não é nova. Há pouco tempo, o mercado assistiu a uma queda brusca, com o quilo do material chegando perto dos 30 RMB (ou até menos, em algumas operações mais desesperadas). Aquilo também não era sustentável. Mas a solução encontrada agora pode acabar produzindo outro desequilíbrio. Especialmente porque a maioria dos países ainda não tem qualquer tipo de proteção ou regulação para lidar com esse tipo de variação. No Brasil, que depende quase totalmente de módulos importados, o impacto chega rápido e direto. Projetos que estavam no limite da viabilidade podem ser adiados, redimensionados ou simplesmente abandonados.

E há ainda uma camada política. O governo chinês vem sinalizando que não vai mais tolerar venda a qualquer preço. Recentemente, reforçou que vender abaixo do custo é prática inaceitável. O que na prática reforça esse movimento de controle sobre o mercado. Pode até ser necessário para proteger os fabricantes, mas torna o ambiente mais instável para quem está fora desse núcleo de decisão.

Aos poucos, o mercado solar vai percebendo que a transição energética não é só uma questão de vontade ou de discurso. É também sobre coordenação, cadeia produtiva e regras do jogo. E o jogo, pelo menos por enquanto, tem sido controlado por quem produz a matéria-prima e decide quanto ela deve valer.

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