Se todos os prédios adotassem a integração de sensores e sistema de gestão predial, entre outros mecanismos de eficiência energética, o país poderia economizar US$ 45 bilhões nas próximas décadas, gastos com a demanda de eletricidade que poderia ser evitada. Esta e outras conclusões estão no estudo “Cenário das edificações sustentáveis e inteligentes no Brasil”.
Sem edifícios sustentáveis e eficientes energeticamente, perto da metade do consumo de eletricidade do Brasil simplesmente ficará de fora da transição energética. Contudo, medidas simples, como a integração de sensores e a adoção de sistemas de gestão predial poderiam proporcionar reduções de consumo de eletricidade entre 20% e 40%, levando a uma economia anual de 14% do consumo total de eletricidade no país, equivalente à geração anual de uma Itaipu e a duas grandes linhas de transmissão (de cerca de 6 mil quilômetros cada), entre outros impactos sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN).
Estas e outras conclusões são parte do estudo “Cenário das edificações sustentáveis e inteligentes no Brasil: contribuições da automação predial e iluminação”, apresentado durante o Congresso de Edificações do Futuro e Expo (CEFX), promovido pela GHM Solutions em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), que aconteceu no dia 3 de Dezembro, no auditório principal do próprio IEE-USP. O evento reuniu autoridades, representantes de entidades, empresas e academia ao longo de um dia de debates.
Além do estudo, assinado pela GHM Solutions, o CEFX apresentou as últimas tendências das edificações inteligentes e sustentáveis, com uso de IoT, IA e gêmeos digitais, num olhar de 360o O evento também abordou temas como políticas públicas para viabilização das edificações sustentáveis, a importância e os caminhos para obtenção das certificações necessárias e as aplicações dessas tecnologias.
Políticas públicas
“Sem edifícios sustentáveis e eficientes energeticamente, perto da metade do consumo da eletricidade simplesmente ficará de fora da transição energética”, ressalta Juliana Ulian, CEO da GHM Solutions, organizadora do evento e a coordenadora do estudo. Ela lembra que o CEFX se deu num momento de pós-COP 30, no qual os edifícios sustentáveis e inteligentes passam a ser vistos como cruciais à transição energética. “A automação da iluminação, assim como a eficiência energética de equipamentos em edificações, precisa de políticas públicas claras, pois ambas são de interesse nacional”, frisa a especialista.
Na ponta do lápis, o estudo da GHM Solutions informa que a adequação das edificações permitiria uma economia anual de 87Twh/ano, ou o suficiente para abastecer mais de 35 milhões de residências, considerando uma faixa de consumo médio entre 150 kWh/mês a 200 kWh/mês. O potencial total de economia acumulada supera US$45 bilhões ao longo das próximas décadas.
Payback em até 5 anos
Juliana salienta: “E ainda que os benefícios da adequação das edificações possam ser sistêmicos, eles também se traduzem em vantagens econômicas para quem investe na área”. Para a CEO da GHM Solutions, a viabilidade econômica da automação predial é indiscutível: o seu payback típico se dá entre 2 e 5 anos. “As medidas de menor custo e de rápida implantação (sensores de presença, termostatos inteligentes, dimerização por fotossensores) são de rápido retorno. Já, as soluções mais complexas, ainda que demandem prazos mais longos de retorno, permitem ganhos maiores de economia”, detalha Juliana.
Confira abaixo o payback das tecnologias, segundo o estudo:
- Sensores de presença de iluminação – em até um ano
- Termostatos inteligentes – em até 1,2 ano
- Fotossensores/dimerização – em até 1,5 ano
- Motores para a climatização (aquecimento, ventilação e ar-condicionado) com acionamento de frequência variável, isto é, com um mecanismo que ajusta a velocidade do motor, conforme a frequência e a tensão da energia fornecida – em até 2,5 anos
- Analytics para internet das coisas (IoT) em equipamentos prediais – em até 3 anos
- Sistemas de climatização central por fluxo de refrigerante variável (FRV ou VRV), para controlar a temperatura de forma individualizada em cada ambiente – em até 3,5 anos
- Building Management System (BMS) ou Sistema de Gerenciamento Predial completo, capaz de automatizar e monitorar todos os sistemas de um edifício – em até 4 anos
Sobre a GHM Solutions: A GHM Solutions é uma empresa de Pesquisa e MarComm para o Setor de Energia. Também realiza o CPIIC – Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro voltado ao tema iluminação pública como ativo estratégico e porta para cidades inteligentes.
Sobre o IEE-USP: O Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) é uma unidade de pesquisa e ensino dedicada ao estudo e desenvolvimento de soluções para questões relacionadas à energia e ao meio ambiente, com foco na sustentabilidade.