Custo de implantação de usinas solares fotovoltaicas no Brasil deve subir cerca de 30% a partir de abril.

Os custos para instalar sistemas de energia solar fotovoltaica no Brasil devem aumentar, em média, 30% a partir de abril de 2026, segundo estimativa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSolar).

A projeção foi feita por Luzer Oliveira, coordenador estadual da entidade em Pernambuco, em meio a uma combinação de alterações tributárias domésticas e mudanças no cenário internacional de produção de equipamentos.

A principal razão para a elevação dos custos está relacionada ao aumento de tributos sobre componentes-chave dos sistemas solares.

A partir de 1º de abril, a União passará a cobrar 20% de Imposto de Importação (II) sobre inversores e bancos de baterias (BESS) usados em instalações fotovoltaicas, um salto em relação às alíquotas anteriores de 12,6% e 16%, respectivamente.

Além disso, dois fatores externos pressionam ainda mais os preços:

• Aumento do valor dos painéis solares importados da China, maior fornecedor global desses equipamentos.

• Fim de um incentivo de exportação de 9% concedido pelo governo chinês, também a partir de abril, que reduzia o custo dos módulos vendidos ao exterior.

De acordo com Oliveira, os equipamentos vindos da China já registraram alta de cerca de 40% no preço em comparação com o final de 2025, motivada principalmente pela elevação de custos de insumos utilizados na fabricação dos painéis.

Impacto na geração distribuída

O aumento de custos deverá afetar investimentos em projetos de geração distribuída (GD), aqueles com capacidade de até 5 megawatts (MW), que incluem sistemas de pequena escala, como os instalados em residências e comércios. Foi justamente esse segmento que impulsionou grande parte do crescimento da energia solar no Brasil nos últimos anos.

Pelo menos parte dessa expansão agora enfrenta um desafio adicional, pois os painéis solares já pagam 25% de Imposto de Importação desde novembro de 2024, antes disso, eram isentos do tributo. ‘‘Foi muito triste taxar os painéis solares, alegando que têm fabricação nacional. O que é feito no Brasil não atende 1% da demanda’’, declarou o coordenador da ABSolar.

Mesmo assim, Oliveira ressaltou que a geração própria de energia continua competitiva com as tarifas das distribuidoras. Mesmo considerando o aumento de 30% no custo de implantação, quem produz sua própria eletricidade pode pagar, em média, R$ 0,16 por quilowatt-hora, contra cerca de R$ 1,00 por quilowatt-hora cobrado pelas distribuidoras.

Redução de subsídios e tarifa de uso da rede

Outra mudança que impacta economicamente quem já investiu em sistemas fotovoltaicos é o fim gradual dos subsídios sobre a cobrança de tarifa pela distribuição de energia (o chamado fio B). Consumidores com geração própria deixaram de ter isenção total e passarão a pagar 60% do fio B em 2026, um valor que tem aumentado progressivamente desde 2023. Em 2028 o percentual deve chegar a 90%.

Esse ajuste foi implementado pelo governo federal com o objetivo de equilibrar os custos de uso da infraestrutura elétrica entre quem gera sua própria energia e quem compra da rede, mas tem gerado debates no setor sobre os efeitos sobre a competitividade da energia solar.

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Fonte: https://movimentoeconomico.com.br/economia/energia/2026/02/25/custo-da-implantacao-de-usina-solar-fotovoltaica-vai-aumentar-em-30/

Imagem: Freepik

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