Programa de cooperação Brasil-Alemanha, coordenado pela GIZ e pelo Ministério de Minas e Energia, oferece diagnósticos subsidiados, capacitação técnica e acesso a crédito para micro, pequenas e médias indústrias em todo o país.
Minas Gerais foi o palco escolhido para o lançamento nacional de um dos programas mais ambiciosos de eficiência energética industrial dos últimos anos. No último dia 12 de maio, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) sediou, em Belo Horizonte, a abertura oficial do Roadshow PotencializEE Investimentos Transformadores em Eficiência Energética, reunindo representantes do Governo Federal, do setor industrial e de instituições parceiras para apresentar ações voltadas à eficiência energética na indústria brasileira.
O investimento total para a expansão nacional é de aproximadamente R$ 75 milhões, e o foco está em quem mais precisa de apoio para dar esse salto: as micro, pequenas e médias indústrias.
O que é o PotencializEE
O PotencializEE é uma iniciativa de Cooperação Brasil-Alemanha, coordenada pela GIZ e liderada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), com foco na redução de custos, aumento da competitividade e descarbonização da indústria. O programa oferece suporte técnico, capacitação e acesso facilitado ao crédito para micro, pequenas e médias indústrias com até 499 funcionários implementarem medidas de eficiência energética.
O perfil de empresa elegível também contempla indústrias energointensivas com custo médio mensal com energéticos igual ou superior a R$ 10 mil, além de empresas com potencial de redução de consumo energético. A lógica é simples: identificar quem desperdiça energia, estruturar soluções e viabilizar o financiamento para implementá-las.
Entre as principais entregas do programa estão diagnósticos energéticos 100% subsidiados, estruturação de projetos de eficiência energética, capacitação técnica pelo SENAI e apoio à implementação e ao acesso ao crédito. A meta operacional prevê a realização de 1.765 diagnósticos energéticos entre 2026 e fevereiro de 2029.
Por que Minas Gerais foi o primeiro estado
A escolha de Belo Horizonte como ponto de partida do roadshow nacional não foi aleatória. A coordenadora-geral de Eficiência Energética do Ministério de Minas e Energia, Samira Sana, destacou que Minas Gerais foi escolhido como primeiro estado por concentrar um grande número de pequenas e médias indústrias alinhadas ao perfil do PotencializEE.
O presidente em exercício da FIEMG, Bruno Melo Lima, também enfatizou que o SENAI Minas Gerais foi escolhido para sediar a primeira edição do roadshow no país em reconhecimento à sua atuação e contribuição no desenvolvimento do programa. Após Belo Horizonte, o roadshow seguirá para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Resultados do piloto animam para a expansão
Antes de chegar a Minas Gerais, o PotencializEE rodou um projeto piloto em São Paulo, e os números são encorajadores. O cônsul-geral da Alemanha, Jan Freigang, destacou os resultados do projeto piloto realizado em São Paulo, que contabilizou 400 diagnósticos energéticos e mais de 250 projetos implementados. Com essa base validada, a expansão nacional ganha credibilidade e referência concreta de impacto.
As vozes do setor no lançamento
O evento reuniu lideranças de peso do ecossistema industrial e energético brasileiro, e os discursos apontaram para uma convergência importante: eficiência energética deixou de ser pauta exclusivamente ambiental para se tornar vetor de competitividade.
Bruno Melo Lima reforçou que programas como o PotencializEE aproximam as empresas de soluções concretas para redução de custos operacionais, aumento da eficiência produtiva e fortalecimento da competitividade em um cenário cada vez mais desafiador, conectado às demandas globais por descarbonização e transição energética.
A gerente do Procel, Myrthes Marcelle Farias dos Santos, ressaltou que a eficiência energética se tornou um fator estratégico para a competitividade da indústria brasileira, e que a energia economizada representa recursos que podem ser reinvestidos em inovação, modernização e crescimento das empresas.
Na mesma linha, representando a CNI, Idenilza Moreira de Miranda destacou que a transição energética deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a integrar diretamente a agenda de competitividade industrial, representando oportunidades para investimentos em inovação e fortalecimento da indústria nacional.
O BNDES também marcou presença, sinalizando o papel do financiamento como elo essencial entre o diagnóstico e a implementação das medidas, um dos pontos críticos que historicamente travam projetos de eficiência energética nas pequenas e médias indústrias.
Um programa que chega na hora certa
O PotencializEE surge em um momento em que o custo da energia segue como um dos principais gargalos de competitividade da indústria nacional. Para empresas de menor porte, que raramente têm equipes técnicas dedicadas ao tema, o acesso a diagnósticos subsidiados e apoio estruturado pode ser a diferença entre identificar ou ignorar oportunidades significativas de redução de consumo.
Com R$ 75 milhões em campo, quase 1.800 diagnósticos previstos e uma parceria sólida entre Brasil e Alemanha, o PotencializEE tem tudo para se consolidar como referência de política pública em eficiência energética industrial, e o Sul e Sudeste do país deverão ser os primeiros a sentir seus efeitos.
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Fonte: Jornal Diário
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