Rio Grande do Sul: Grandes empresas gaúchas investem em energia renovável e reduzem custos pela metade

O Rio Grande do Sul vive um movimento crescente de empresas de grande porte que buscam descarbonizar suas operações através de investimentos em energia renovável. Motivadas por compromissos ambientais, vantagens competitivas e redução de custos, companhias como Corsan Aegea, Marcopolo, Be8 e Ultragaz adotam estratégias que combinam geração própria e compra de energia limpa no Mercado Livre de Energia.

Corsan Aegea: 99,5% de fontes sustentáveis

Uma das maiores consumidoras de energia do Rio Grande do Sul, a Corsan Aegea atingiu a marca de 99,5% de uso de fontes sustentáveis para impulsionar suas operações. A empresa consome cerca de 40.150 megawatts-hora (MWh) por mês, volume suficiente para abastecer um município com aproximadamente 200 mil moradores.

Para alcançar esse índice, a Corsan conta com uma rede própria diversificada que inclui:

  • Biomassa de casca de arroz em Itaqui
  • Pequena central hidrelétrica (PCH) em Crissiumal
  • Usinas solares em Tapes, São Lourenço do Sul, Três Passos, Alegrete, Nonoai e Santa Maria
  • Participação no Parque Elera em Minas Gerais (três usinas solares)

Atualmente, 94,3% da energia consumida pela empresa é proveniente de usinas próprias. A diretora de Sustentabilidade da Corsan, Liliani Cafruni, destaca que essa estratégia começou em 2023 e vem ganhando força:

“Como somos um dos maiores consumidores do Estado, um dos nossos pilares é trabalhar essa questão da energia renovável. E, como temos de expandir as operações para cumprir as metas de saneamento, as novas obras já são planejadas para gastar menos energia também.”

Marcopolo: 100% de energia renovável no Mercado Livre

A Marcopolo adota uma estratégia diferente. Embora conte com produção própria em algumas unidades, como painéis solares que abastecem áreas de convivência e lazer dos funcionários, suas duas fábricas no Estado e uma no Espírito Santo operam através da compra de eletricidade de fontes renováveis no Mercado Livre de Energia.

Diferentemente de um consumidor residencial comum, a Marcopolo recorre à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e adquire megawatts necessários exclusivamente de fontes renováveis, também chamadas de “incentivadas”, que incluem:

  • Geração solar
  • Energia eólica
  • Biomassa
  • Centrais hidrelétricas de menor porte

O gerente de Manutenção, Meio Ambiente e Normas da empresa, Edson Silvano da Cunha, confirma:

“Hoje temos 100% da nossa energia adquirida de fontes renováveis. Nosso contrato atende as três fábricas que temos no Brasil.”

Impacto ambiental: No ano passado, a Marcopolo deixou de emitir mais de 3,3 mil toneladas de CO2 equivalente graças a essa escolha. Isso equivale, aproximadamente, ao carbono absorvido por cerca de 55 mil árvores ao longo de 10 anos.

Vantagens econômicas e competitivas

Além dos benefícios ambientais, a preferência por energia renovável representa vantagens comerciais significativas para as empresas. O gerente da Marcopolo explica:

“A gente tem um custo, no Mercado Livre de Energia, bem menor do que se fosse no mercado cativo (convencional). Então, também tem uma questão competitiva.”

Redução de custos: A negociação feita por meio da CCEE costuma obter valores mais vantajosos, chegando a até metade do preço em relação ao mercado regulado, onde o consumidor é suprido pela distribuidora da sua área de concessão com tarifas previamente definidas.

Acesso a financiamentos: Outra razão estratégica é a maior facilidade de acesso a financiamentos internacionais que incluem o compromisso ambiental como requisito.

A presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, analisa:

“Não é só uma motivação de querer contribuir ou mostrar que a empresa tem compromissos com o desenvolvimento sustentável. Hoje também é uma questão econômica. Além do preço da energia reduzir, quando se utiliza matriz renovável, tem esse acesso a linhas internacionais, seja de fundos, seja de bancos.”

Be8: fórmula híbrida de geração

A empresa gaúcha Be8 utiliza uma abordagem híbrida para garantir suas operações. Além de contar com uma pequena hidrelétrica própria, produz energia através da queima de biomassa em caldeiras e compra o restante no mercado livre de fontes renováveis.

Biogás e biometano: novas fronteiras

O Rio Grande do Sul também se destaca em projetos de biogás e biometano. A Sulgás, distribuidora de gás natural no Estado, trabalha com “energia firme”, gás 100% renovável, e lançou em 2026 o Sulgás BioHub, uma iniciativa que incentiva o aumento da produção de biometano no RS.

A Ultragaz, pioneira em GLP no Brasil e que atende 11 milhões de domicílios, vem investindo em energia de biometano com aplicações industrial e veicular. O diretor da empresa destacou a importância de políticas que incentivem a conversão de frotas, já que ainda há poucos caminhões a gás em operação.

Tendência de antecipação de metas

A presidente da Sindienergia-RS confirma uma tendência importante no Estado:

“Há algumas orientações internacionais, compromissos estabelecidos para atingir metas até 2040. Mas percebemos que as empresas estão, voluntariamente, buscando antecipar o atingimento dessas metas.”

Rio Grande do Sul lidera conversões para mercado livre

Como resultado do interesse crescente das companhias gaúchas pela busca de energia limpa, o Estado registrou 1.581 conversões de unidades consumidoras para o setor de livre negociação no ano passado, quarta posição em todo o país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Essa movimentação reflete não apenas a busca por sustentabilidade, mas também a percepção de que energia renovável é a nova tendência e que o Rio Grande do Sul é vanguardista no setor.

Acompanhe como grandes empresas estão transformando suas operações através de energia renovável e descarbonização. Continue no ecogateway para mais notícias sobre sustentabilidade e inovação energética no Brasil.

Fontes consultadas:

GZH — Energia renovável no RS: por que grandes empresas gaúchas estão investindo em geração própria
Correio do Povo — Rumo a demandas do mercado, companhias e cooperativas gaúchas investem em projetos de biogás e biometano
Imagem: Ecoledagriculture.fr

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