Como a tecnologia é aplicada na prática para garantir eficiência operacional, segurança e qualidade na infraestrutura rodoviária? Essa foi uma das questões que motivaram minha visita, na última semana, à Arteris, onde tive a oportunidade de conhecer parte dos bastidores da operação e conversar com Sérgio Viana, especialista em túneis, gerente da companhia e responsável pelas áreas de elétrica, automação e telecomunicações.
Com 26 anos de experiência no setor de concessões rodoviárias, Sérgio foi também palestrante do CPIIC – Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro, compartilhando experiências sobre modernização de serviços digitais, iluminação, radares e sistemas de monitoramento.
Atualmente, a Arteris administra seis concessões rodoviárias, com uma estrutura que impressiona pela escala e pelo nível de integração entre engenharia, tecnologia, energia e operação.
Iluminação e segurança exigem conhecimento especializado
Um dos principais aprendizados da visita foi compreender a complexidade dos projetos de iluminação e segurança viária em rodovias. Diferentemente de uma instalação convencional, esses sistemas precisam seguir padrões técnicos rigorosos e considerar fatores como segurança, eficiência energética, manutenção, condições de operação e características específicas de cada trecho.
Um exemplo citado durante a conversa mostra essa diferença de forma bastante clara: um poste projetado especificamente para determinadas condições de segurança pode representar um investimento equivalente a quatro postes convencionais, pois os custos de dispositivos de proteção dos postes são muitos relevantes no projeto.
A experiência técnica, portanto, não é apenas um diferencial: é parte fundamental da qualidade e da segurança do projeto.
Túneis: sistemas críticos funcionando simultaneamente
A complexidade aumenta ainda mais quando o assunto são túneis.
Segundo Sérgio Viana, um túnel pode operar com aproximadamente 21 sistemas simultaneamente, envolvendo iluminação, ventilação, energia, automação, comunicação, monitoramento e segurança, entre outros.
Esses sistemas precisam trabalhar de forma integrada e atender aos requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 15661, norma relacionada à proteção contra incêndio em túneis rodoviários e urbanos.
A dimensão energética também chama atenção. No Túnel de Brasília, por exemplo, a demanda contratada é de aproximadamente 1 MW, para um túnel aproximado de 1 km.
Nesse cenário, eficiência energética deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a representar também uma importante estratégia operacional e financeira.
4,6 MW de geração fotovoltaica
A estratégia energética da Arteris inclui ainda geração própria de energia. Atualmente, a empresa possui aproximadamente 4,6 MW de capacidade instalada em usinas fotovoltaicas, além de créditos de carbono.
A companhia também atua no mercado livre de energia, especialmente para o consumo dos túneis e para a gestão conjunta de grupos de praças de pedágio com demanda superior a 500 kVA.
A combinação entre geração renovável, mercado livre, eficiência energética e gestão de ativos mostra como a infraestrutura rodoviária está incorporando conceitos que tradicionalmente eram associados ao setor de energia.
Inteligência artificial aplicada à segurança viária
Outro ponto que chamou atenção foi a aplicação de inteligência artificial na operação.
A Arteris utiliza soluções capazes de identificar comportamentos de risco, como motoristas sem cinto de segurança e uso de celular ao volante.
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante de um dado apresentado durante a visita: aproximadamente 90% dos incidentes estão relacionados à distração.
Nesse contexto, câmeras, inteligência artificial, conectividade e sistemas de monitoramento deixam de ser apenas ferramentas de controle e passam a fazer parte de uma estratégia de prevenção de acidentes.
Conectividade para atendimento de emergência
A infraestrutura de telecomunicações também desempenha papel fundamental.
Atualmente, a Arteris conta com 100% de cobertura Wi-Fi por 4G para os sistemas de call box, utilizados para comunicação em situações de emergência.
É um exemplo de como conectividade e infraestrutura digital estão cada vez mais integradas à operação das rodovias.
Um case de iluminação LED com mais de uma década
Entre os projetos apresentados, um dos destaques é o Trevão de Ribeirão Preto, complexo viário com aproximadamente 11 quilômetros de extensão, considerado o maior da América Latina em sua categoria.
O local conta com iluminação LED há mais de dez anos, tornando-se um importante case de aplicação de tecnologia e eficiência em iluminação viária.
A experiência demonstra que a modernização da iluminação não precisa ser pensada apenas como substituição de equipamentos, mas como parte de uma estratégia mais ampla de eficiência, segurança, operação e qualidade dos serviços.
Free flow e os desafios da inovação
A Arteris também acompanha novas tecnologias para a evolução da operação rodoviária, incluindo estudos relacionados ao free flow.
Entretanto, a adoção de novas soluções não depende apenas da disponibilidade tecnológica. Existem desafios regulatórios e riscos financeiros que precisam ser considerados para que a inovação seja implementada de maneira sustentável.
Esse é um ponto importante: inovação em infraestrutura exige não apenas tecnologia, mas também segurança jurídica, viabilidade econômica, regulamentação adequada e planejamento de longo prazo.
Da experiência do CPIIC para a prática
Sérgio Viana já havia participado do CPIIC, compartilhando com o público sua experiência na modernização da iluminação e na implantação de serviços digitais, sistemas de monitoramento, radares e outras tecnologias aplicadas à infraestrutura rodoviária.
Conhecer esses projetos na prática reforçou uma convicção: o futuro das cidades e da infraestrutura passa necessariamente pela integração entre iluminação, energia, conectividade, automação, inteligência artificial e segurança.
A visita também abriu espaço para novas possibilidades de colaboração.
Em breve, teremos novidades sobre projetos conjuntos, unindo competências e experiências para apoiar iniciativas de qualidade em infraestrutura, desenvolvimento urbano e segurança da população.
Fica aqui meu agradecimento ao Sérgio Viana pela recepção, pela troca de conhecimento e pela oportunidade de conhecer de perto uma operação tão complexa e tecnologicamente avançada.
A infraestrutura do futuro já está sendo construída e, cada vez mais, ela será digital, conectada, eficiente e orientada à segurança.
Imagem: Divulgação Arteris