A energia solar no Brasil atingiu um marco expressivo ao superar R$ 300 bilhões em investimentos acumulados, consolidando-se como um dos principais vetores da transição energética no país. Os dados, divulgados pela ABSOLAR, refletem o avanço consistente da fonte tanto na geração centralizada quanto na distribuída.
Apesar do crescimento histórico, o setor começa a dar sinais de desaceleração. Nos últimos meses, o ritmo de novos projetos apresentou retração em comparação aos anos anteriores, indicando uma fase de ajuste após um ciclo acelerado de expansão.
Entre os principais entraves apontados estão limitações operacionais no sistema elétrico, incluindo cortes na geração de energia renovável sem compensação financeira, prática que impacta diretamente a previsibilidade dos investimentos. Além disso, dificuldades na conexão de novos sistemas à rede de distribuição, especialmente em regiões com infraestrutura saturada, têm restringido o avanço de novos empreendimentos.
Ainda assim, os números consolidados reforçam a relevância estratégica da fonte solar na matriz elétrica brasileira. O país já soma 68,6 GW de capacidade instalada, com a energia solar representando 25,3% da matriz elétrica, a segunda maior participação entre as fontes. O setor também acumula mais de 2 milhões de empregos gerados na última década e cerca de R$ 95,9 bilhões em arrecadação para os cofres públicos.
A expansão ocorre de forma diversificada. Na geração centralizada, estados como Minas Gerais, Bahia e Piauí lideram em capacidade instalada. Já na geração distribuída, com sistemas instalados em residências, comércios e propriedades rurais, destacam-se São Paulo, Minas Gerais e Paraná.
Diante do cenário atual, a ABSOLAR defende a adoção de medidas estruturais para sustentar o crescimento do setor. Entre as propostas estão o fortalecimento do mercado livre de energia, a ampliação de soluções de armazenamento e o incentivo ao desenvolvimento do hidrogênio verde. A entidade também ressalta a necessidade de avanços regulatórios que facilitem a integração dessas tecnologias ao sistema elétrico e ao ambiente tributário.
O momento, portanto, é de inflexão: ao mesmo tempo em que a energia solar consolida seu protagonismo na matriz brasileira, enfrenta desafios que exigem coordenação entre regulação, infraestrutura e inovação. A forma como esses obstáculos serão endereçados deve definir o ritmo da próxima fase de crescimento do setor no país.
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Fonte: https://dgrj.com.br/economia/energia-solar-ultrapassa-r-300-bilhoes-em-investimentos-no-brasil-mas-setor-enfrenta-desaceleracao
Imagem: Go Green