Leilão de passivos do GSF é marcado pela CCEE para 1º de agosto

Leilão de passivos do GSF

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) publicou o edital que marca para o dia 1º de agosto a realização do aguardado leilão de passivos do GSF. A iniciativa representa um passo fundamental para resolver um impasse financeiro que se arrasta há mais de uma década no setor elétrico brasileiro. O objetivo é liquidar cerca de R$ 1,1 bilhão em débitos relacionados ao risco hidrológico.

Este mecanismo concorrencial foi desenhado para encerrar disputas judiciais que comprometem o equilíbrio do Mercado de Curto Prazo (MCP). O problema do GSF (Generation Scaling Factor) surgiu quando geradores hidrelétricos produziram menos energia que o previsto por razões não controláveis, como o despacho de outras usinas pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), gerando um déficit financeiro.

O leilão de passivos do GSF funcionará de forma inovadora. Geradores hidrelétricos com débitos poderão ofertar sua energia para quitar as dívidas. Na outra ponta, empresas com concessões a vencer podem adquirir essa energia, garantindo em troca a extensão de seus contratos de outorga por até sete anos. Essa estrutura cria uma solução de mercado sem a necessidade de impor novos custos aos consumidores.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) será responsável por formalizar a prorrogação das concessões após o certame. A expectativa é que a medida traga maior previsibilidade e confiança para os agentes do setor. Alexandre Ramos, presidente do conselho de administração da CCEE, afirmou que a solução encerra um longo capítulo de incertezas e abre um novo horizonte de crescimento.

A estruturação deste leilão de passivos do GSF é vista como um avanço regulatório significativo. Ele oferece uma saída para as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que são as principais devedoras, ao mesmo tempo que permite a outras empresas, como Cemig, Engie e Auren, a possibilidade de estender a validade de seus ativos hidrelétricos. O sucesso da operação é crucial para a estabilidade futura do ambiente de comercialização de energia.

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